Correção do solo: como fazer e qual sua importância para a lavoura?

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Os componentes vegetativos da agricultura estão em constante rotação, especialmente quando se trabalha com culturas de ciclo curto, como milho e soja. A cada colheita, volta-se à estaca zero, preparando o solo para receber novas sementes que, em alguns meses, renderão os produtos da propriedade. A terra é, portanto, o elemento central da agricultura, e precisa de cuidados especiais para possibilitar uma boa safra. Sendo assim, você entende a importância da correção do solo?

Corrigir o solo pode ser a diferença entre uma colheita mediana e uma colheita farta. Mesmo que se faça uma boa adubação, as plantas não se desenvolverão bem em um pH muito baixo, pois a disponibilidade dos nutrientes está diretamente relacionada a acidez do terreno. Continue a leitura e entenda mais sobre isso!

Por que o solo precisa de correção?

No Brasil, devido a fatores geológicos, o solo tende a um pH baixo, com grande concentração dos íons H+ e Al+3. Ainda que essa acidez seja natural, ela difere do ambiente ideal para as plantas cultivadas. Nessas condições, nutrientes de suma importância, como nitrogênio, fósforo e potássio, têm sua disponibilidade reduzida, podendo prejudicar o crescimento vegetal. Outros fatores (como a compactação do solo e a taxa de pluviosidade) interferem no desemprenho do terreno, mas o pH é o principal deles.

Há, ainda, a questão da concentração do alumínio e do manganês que, em excesso, são tóxicos para plantação. Ao contrário dos nutrientes citados anteriormente, a disponibilidade de ambos aumenta quando o pH diminui. Sua presença inibe o crescimento do sistema radicular, tornando as plantas mais suscetíveis a tombamento e prejudicando a absorção de nutrientes e a produtividade da cultura.

Como fazer a correção do solo?

Para aumentar o pH do solo, deve-se realizar a calagem, ou seja, a aplicação de calcário no terreno. Sua absorção não é imediata, portanto o ideal é fazer o procedimento no período pré-safra. Em solos pobres em magnésio, como acontece no Cerrado, é interessante utilizar calcário dolomítico ou calcitico, que possuem maior concentração desse nutriente.

Quanto maior for o Poder Real de Neutralização Total (PRNT) do calcário, mais rápido ele será incorporado (e mais caro tende a ser seu preço). Um PRNT intermediário pode ser vantajoso por seu efeito residual, com algumas partículas que serão incorporadas durante os anos seguintes após a calagem.

A gessagem é um procedimento complementar na correção do solo. Ela não modifica diretamente o pH mas reduz a disponibilidade de alumínio no perfil do solo e aumenta a concentração de cálcio e enxofre. A gessagem não interfere no processo de calagem, e ambas podem ser realizadas conjuntamente.

Como fazer o cálculo da calagem?

Para saber a quantidade de calcário de que o seu solo necessita, é importante fazer uma análise de composição. A fórmula inclui:

  • a saturação de bases de encontrada (V1);

  • a saturação de bases desejada (V2), que está entre 50% e 60%;

  • a capacidade de troca de cátions (CTC) em pH neutro (escrita como T, na fórmula);

  • 100 sobre o PRNT do calcário utilizado (chamado de f).

Dessa forma, a necessidade de calagem (NC) = [(V2 – V1)*T*f]/100, sendo que NC está em toneladas por hectare. É essencial fazer o cálculo correto antes da aplicação, para não chegar a um resultado de pH diferente do desejado, que é próximo ao neutro. Um engenheiro agrônomo é o profissional adequado para ajudar nesse planejamento.

Como você pode ver, a correção do solo pode trazer muitos benefícios para a sua lavoura, e não é complicada de se realizar, bastando o conhecimento prévio das condições do solo e o cálculo das quantidades ideais para o seu terreno. Faça um investimento inteligente e utilize a calagem com sabedoria!

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